Caso comprovem bom comportamento, ambos têm direito de solicitar regime semiaberto após cumprirem dois quintos da pena, de acordo com a lei brasileira. Isso pode vir a acontecer para o pai da menina em cerca de dez anos. Para a madrasta, em oito anos e meio. Em ambas as previsões já estão descontados os cerca de dois anos em que ambos ficaram detidos, aguardando o julgamento.
Se a liberdade condicional for solicitada pela defesa do casal e for concedida pela Justiça, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá poderão deixar o presídio durante o dia e retornar apenas para pernoitar.
O livramento condicional, que permitiria que eles deixassem definitivamente a cadeia, só pode ser solicitado depois de cumprido dois terços da pena. No caso dele, em 2030. No dela, em 2027. Alexandre Nardoni estará então com 51 anos. A madrasta, com 43.
O casal foi considerado responsável por asfixiar e jogar pela janela do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, a criança que, na época, tinha 5 anos. Condenados por homicídio doloso triplamente qualificado, tiveram a pena acrescida de mais oito meses por crime de fraude processual (alteraram a cena do crime), que eles poderão responder em regime semiaberto. Foi negado aos dois o direito de recorrer da sentença em liberdade.
Manifestações públicas
A Polícia Militar estima que cerca de 200 pessoas, sem contar com a imprensa e profissionais que trabalharam no julgamento, estavam concentradas em frente ao fórum nesta madrugada.
Para garantir a segurança no transporte dos participantes do júri e dos condenados até o presídio, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) isolou faixas de trânsito em frente ao fórum. Apenas uma ficou transitável. Mesmo assim houve confusão.
Assim que o semáforo fechou na avenida Engenheiro Caetano Álvares, em que se localiza o fórum de Santana, na zona norte da capital paulista, um grupo foi para a rua aos gritos de justiça. Ao fundo, tocava a música tema da vitória do piloto Ayrton Senna.
Policiais soltaram bombas para dispersar o público que batia nos dois caminhões que transportavam os condenados. Algumas pessoas passaram mal.
O crime
Isabella Nardoni morreu após cair da janela do sexto andar do Edifício London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. No apartamento, moravam o pai dela, Alexandre Nardoni, a madrasta, Anna Carolina Jatobá, e os dois irmãos menores. A menina morava com a mãe e passava alguns dias com o pai.
O crime aconteceu à noite, depois que o casal e a menina voltaram para o apartamento deles após um passeio. Nardoni e Jatobá afirmam que uma terceira pessoa, nunca identificada, invadiu o local e jogou a menina, que tinha cinco anos, depois que o pai a deixou no quarto e voltou para o carro para a ajudar a mulher a levar para o apartamento os dois filhos pequenos do casal, que estavam adormecidos.
A acusação defendeu durante o julgamento que eles estavam no apartamento na hora do crime.
Peritos da Polícia Civil disseram à época que Isabella foi espancada e esganada dentro do apartamento antes de ser jogada pela janela do sexto andar. Dias depois, a polícia afirmou que não existia uma terceira pessoa no apartamento na noite da morte de Isabella.
Com isso Alexandre e Anna foram acusados pelo crime e presos. Em quase dois anos de prisão, eles nunca disseram ter matado Isabella e nem se acusaram mutuamente pelo crime.

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